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Caso Miguel: um ano depois, corpo de menino morto pela mãe em Imbé ainda não foi encontrado

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Caso Miguel: um ano depois, corpo de menino morto pela mãe em Imbé ainda não foi encontrado

Justiça nega recurso da defesa e mantém julgamento da mãe e ex-companheira dela, ainda sem data marcada.

Polícia Civil e Ministério Público concluíram que Miguel dos Santos Rodrigues, de 7 anos, foi jogado no Rio Tramandaí por Yasmin Vaz dos Santos e Bruna Nathieli Porto da Rosa.

Caso Miguel: um ano depois, corpo de menino morto pela mãe ainda não foi encontrado no RS Há um ano, a Polícia Civil prendeu a mãe do menino Miguel dos Santos Rodrigues, de 7 anos, por medicá-lo e jogar seu corpo no Rio Tramandaí, em Imbé, no Litoral Norte do Rio Grande do Sul.

Yasmin Vaz dos Santos Rodrigues teria anunciado o desaparecimento, mas, depois, confessado o crime cometido com a então companheira Bruna Nathieli Porto da Rosa.

No entanto, até esta sexta-feira (29), os restos mortais de Miguel não foram encontrados — o que motivou os advogados das rés a pedirem a impronúncia das duas, já que não haveria materialidade do crime.

A 3ª Câmara Criminal do Tribunal de Justiça do RS, em sessão virtual realizada na quarta-feira (27), negou, por unanimidade, o recurso das defesas e manteve a decisão que leva ambas a julgamento.

Na decisão, o colegiado também rejeitou o pedido de soltura, e elas deverão permanecer presas preventivamente.

"A impronúncia se dá quando o julgador não se convencer da materialidade do fato ou da existência de indícios suficientes da autoria ou de participação.

Todavia, tal hipótese não se afigura nos autos, em que há elementos suficientes para convencer acerca da materialidade e dos indícios suficientes da autoria dos delitos de homicídio qualificado, tortura e ocultação de cadáver", decidiu o desembargador Luciano André Losekann.

Votaram com o relator a desembargadora Rosane Wanner da Silva Bordasch e o juiz convocado Leandro Augusto Sassi.

Entenda o caso: corpo de menino morto é jogado em rio em Imbé Leia mais: Avó de menino morto tinha feito pedido de guarda da criança 'Sentimento de impotência', diz pai Conselho Tutelar diz que não recebeu denúncias de maus-tratos Mãe pesquisou na internet se 'digitais humanas saem na água salgada do mar' Veja abaixo o que se sabe sobre o caso: Como e quando foi a morte O que dizem as defesas de Yasmin e Bruna Qual a motivação do crime Pelo que elas foram indiciadas e denunciadas Como foram as buscas Quando será o Julgamento Miguel foi morto pela mãe e teve corpo atirado no Rio Tramandaí, em Imbé, segundo a polícia Reprodução/RBS TV 1.

Como e quando foi a morte Conforme a denúncia do Ministério Público, na madrugada de 28 de julho, Yasmin Vaz dos Santos Rodrigues, de 26 anos, deu remédios ao filho Miguel e o colocou dentro de uma mala.

Um dia depois, já na noite do dia 29, ela foi até a delegacia, em Tramandaí, registrar o desaparecimento do filho.

"Alegou que o filho havia desaparecido há dois dias e que ainda não havia procurado a polícia porque pesquisou no Google e viu que teria que aguardar 48h.

E começou a apresentar uma série de contradições, o que levou à desconfiança da BM e PC", diz o delegado do caso, Antonio Carlos Ractz Júnior.

Em depoimento à polícia, ela informou não ter certeza se a criança estava viva ou morta.

"A primeira conversa que eu tive com a se dizente mãe, eu perguntei para ela: 'Onde tá o Miguel, onde tá teu filho?'.

E ela disse que tinha sido jogado no rio.

E eu perguntei: 'Vivo ou morto?'.

E ela, numa frieza, respondeu: 'Eu não sou médica pra saber.

Vocês que têm que saber'", afirma o delegado.

(Veja o vídeo abaixo) Vídeo mostra mãe e companheira suspeitas da morte de Miguel carregando mala em Imbé 2.

O que dizem as defesas de Yasmin e Bruna A defesa de Yasmin disse que aguarda o processo retornar do Tribunal de Justiça à comarca de origem, em Tramandaí, para ser marcada a data do julgamento.

"O júri se aproxima e estamos preparados.

Durante a instrução processual, Yasmin se manteve em silêncio, entendemos que sua versão tem que ser direcionada única e exclusivamente ao Conselho de Sentença, que é quem vai julgá-la", sustenta o advogado Jean Severo.

Já o advogado Filipe Trelles, que também defende a mãe de Miguel, disse que a defesa de Bruna renunciou ao processo no dia 21 deste mês.

Ele afirma que a defesa tem 10 dias para comprovar a ciência dela quanto à renúncia.

Depois, Bruna tem que indicar quem vai defendê-la.

Se não apresentar, será nomeada a defensoria pública.

A Defensoria Pública, por meio de sua assessoria, informou que o caso ainda não foi encaminhado para o órgão.

Polícia divulga imagens de conversa entre madrasta e menino morto pela mãe em Imbé 3.

Qual a motivação do crime O Ministério Público do RS chegou à conclusão, a partir das investigações, que a criança foi morta porque as mulheres a consideravam um "empecilho" para a vida do casal.

"Desde o dia 17 de abril até momentos antes do homicídio, elas submetiam ele a diversos atos de castigos, de violência pessoal, porque elas não entendiam que ele, em tese, fazia parte do núcleo familiar que elas estavam tentando desenvolver", relata o promotor do caso, André Luiz Tarouco Pinto.

Sangue encontrado em camiseta é de Miguel, afirma perícia Divulgação/IGP A Polícia Civil apurou que a criança vivia sob intensa tortura física e psicológica e era obrigada a escrever frases ofensivas.

"Era desnutrida.

Embora estivesse matriculada na escola, não tinha amigos, não frequentava lugar algum.

Era trancada em um cômodo da casa, posta de castigo, trancada amarrada dentro de um roupeiro", descreve o delegado Ractz.

Segundo a polícia, a companheira também participava das torturas psicológicas.

Em um vídeo acessado nos celulares das suspeitas, ela se dirige ao menino, que está dentro de um guarda-roupa, e ameaça espancá-lo caso desobedecesse.

"Se a tua mãe chegar e tu te mijar, eu te desmonto a pau, e tu vai sair todo quebrado.

Se tu se mijar, eu pego o teu mijo e esfrego na tua cara", fala Bruna, em vídeo disponibilizado pela polícia.

(Assista abaixo) Vídeo mostra conversa entre companheira da mãe e menino morto em Imbé 4.

Pelo que elas foram indiciadas e denunciadas A Polícia Civil entregou o inquérito indiciando Yasmin e Bruna por três crimes: tortura, ocultação de cadáver e homicídio duplamente qualificado, por emprego de meio cruel e recurso que impossibilitou a defesa da vítima.

Já o Ministério Público, que elaborou a denúncia à Justiça, manteve os três crimes, e adicionou uma qualificadora, por motivo torpe, tornando o homicídio triplamente qualificado.

Leia ainda: Laudo descarta transtorno mental de companheira de Bruna G1 10 anos: os 10 crimes que chocaram o RS na última década 5.

Como foram as buscas O Corpo de Bombeiros Militar (CBM) iniciou as buscas logo após o relato da mãe à polícia.

Porém, anunciou, 48 dias depois do desaparecimento, o fim das buscas pelo menino Miguel.

O corpo da criança não foi encontrado até hoje.

"Tão logo o delegado soube da informação, já me repassou.

Isso foi questão de minutos.

Foi muito rápido.

Por isso eu digo, se nós tivéssemos sabido dessa informação na hora do fato, provavelmente nós teríamos achado esse corpo", afirma o comandante do CBM de Tramandaí, tenente Elísio Lucrécio, que conduziu as ações na época.

Ele confirma que foram esgotadas as buscas na lagoa, no Rio Tramandaí, em terrenos e até mesmo bueiros.

O Oceano Atlântico, entre Mostardas e Torres, também foi monitorado.

"Muitas vezes temos sorte de o corpo ser jogado de volta na areia.

Ser trazido de volta pra orla.

Mas boa parte a gente sabe que não acontece", lamenta.

Onde foram as buscas Mapa mostra localização, em Imbé (RS), onde mãe teria jogado corpo do filho.

G1/Arte 6.

Quando será o Julgamento Não há data prevista para realização do Tribunal do Júri.

A 3ª Câmara manteve a decisão da sentença de pronúncia, em fevereiro deste ano, que leva mãe e ex-companheira ao banco dos réus.

Na fase de instrução do processo, testemunhas e Bruna foram ouvidas, em novembro de 2021, em Tramandaí.

Ela atribuiu à mãe a responsabilidade total pelo crime.

Yasmin exerceu o direito de permanecer em silêncio.

A mãe também não participou da reprodução simulada dos fatos, nome dado à reconstituição dos momentos anteriores e posteriores ao crime, em agosto daquele ano.

Vídeos: Caso Miguel em Imbé


Publicada por: RBSYS

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